31 de dezembro de 2007

Livre-arbítrio: livre ou escravo?

E isso com maior razão, se nos defrontarmos com a autoridade dos pais que, conquanto estejam sempre com essa expressão na boca, entretanto mostram qual é o valor que lhe dão no uso de que dela fazem. Principalmente Agostinho, que não hesita em chamá-lo servo. É bem verdade que, em certo lugar, ele se opõe aos que negam a existência do livre-arbítrio, mas, ao mesmo tempo, ele demonstra o que pretende, quando diz: “Somente que ninguém se disponha a negar o livre-arbítrio para, com isso, escusar o pecado”. Por outro lado, porém, ele confessa que “a vontade do homem não é livre sem o Espírito de Deus, visto que é dominada por suas concupiscências”. Igualmente diz ele que “depois que a vontade é dominada pelo mal em que caiu, a nossa natureza perdeu a liberdade”. E ainda: “O homem fazendo mau está em cativeiro e não pode fazer bem algum”.

Que diremos nós, ainda mais que noutro lugar parece que ele se põe a zombar dessa expressão, dizendo que há um livre-arbítrio bem livre no homem, mas de modo nenhum está livre de preocupações, e está livre da justiça e é servo do pecado? O que testifica que ele não tem outra opinião sobre a liberdade o homem, senão que se desviou da justiça, rejeitando o seu jugo para servir ao pecado. Não é assim, que ele zomba apenas do título que lhe dão, chamando-o livre-arbítrio? Portanto, se alguém se permite usar essa expressão, não farei com ele grande controvérsia, mas, uma vez que vejo que não se pode fazer uso se fosse abolida, eu não gostaria de empregá-la; e se alguém me pedisse conselho, eu lhe diria que se abstivesse do seu uso.

Fonte: As Institutas da Religião Cristã: edição especial com notas para estudo e pesquisa / João Calvino. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. Pág. 99.

20 de dezembro de 2007

Leitura Recomendada

Romanos
Editora PES, 288p, 13,8 X 20 cm, G. B. Wilson. Edição nova e expandida.
Status: Disponível

A Epístola aos Romanos ocupa o primeiro lugar entre as Epístolas de Paulo porque, embora precedida por outras Epístolas quanto ao tempo, é a mais completa exposição da fé cristã. Por conseguinte, quando esta grande carta recebeu sua justa preeminência e foi utilizada efetivamente – como, por exemplo, por Agostinho no século quinto e por Lutero no século dezesseis – o verdadeiro cristianismo progrediu com poder. “Esta Epístola”, disse Lutero, “é o mais puro evangelho. Jamais pode ser lida ou estudada tempo demais ou bem demais, e quanto mais manuseada, mais deleitável se torna e tem melhor sabor”. O novo comentário de Romanos, de autoria de Geoffrey B. Wilson, ilustra o dito de Calvino segundo o qual “a principal excelência de um expositor consiste de lúcida brevidade”. O tratamento versículo por versículo é simples e claro, e a explanação do texto é abundantemente enriquecida por reflexões esclarecedoras extraídas de uma ampla gama dos melhores autores. Dessa forma, o leitor é suprido de uma introdução, tanto do sistema de teologia do Novo Testamento, como daqueles autores que, no passado e no presente, o expõem mais proveitosamente. O livro contribuirá muito para a promoção do cristianismo histórico numa época bastante comparável ao mundo pagão do tempo de Paulo. O autor nasceu em Liverpool, em 1929, e passou alguns anos em atividades comerciais antes de entrar no ministério, em 1960. Ele era ministro da Igreja Batista de Birkby, Huddersfield, Inglaterra. Seus comentários sobre o Novo Testamento já foram uma grande bênção para muitas pessoas em toda parte do mundo.
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Leitura Recomendada

Cristianismo Autêntico
Editora PES, 392p, 13,8 X 21cm, D. M. Lloyd-Jones
Status: Disponível

Neste volume, que conclui a série intitulada Cristianismo Autêntico, o Dr. Martyn Lloyd-Jones mostra a significação dos eventos registrados em Atos 8:1-35 para os leitores atuais. Aqui vemos que a perseguição movida depois do martírio de Estêvão levou a um dramático progresso do evangelho em Samaria e, por meio da conversão do eunuco etíope, alcançando até mesmo a África. Foi assim que as palavras do Senhor a Seus discípulos, que eles seriam Suas testemunhas em “Samaria, e até aos confins da terra”, começaram a ser cumpridas. Estes sermões, pregados entre outubro de 1967 e fevereiro de 1968, estão repletos de elucidações brilhantes sobre tópicos tais como a necessidade humana do evangelho, a obra do Espírito, o caráter sobrenatural do cristianismo verdadeiro, arrependimento e fé, o perigo de uma fé espúria, e o coração e o centro do evangelho nos sofrimentos e na morte de Cristo, nos termos da explicação dada por Filipe ao cidadão da Etiópia. A série sobre Atos foi interrompida pela enfermidade e conseqüente aposentadoria do Dr. Lloyd-Jones como ministro da Capela de Westminster. Portanto, estes sermões finais recebem uma lancinante agudeza adicional do fato de que “o Doutor” se sentia cada vez mais enfermo. Todavia, quando ele ministrava a Palavra de Deus, era claramente sustentado por sua experiência do poder das verdades que ele apaixonadamente recomendava aos outros.
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