
Como posso EU ter certeza?
Editora PES, 160p, 13,5x18cm
Este espaço se destina a registrar estudos, pregações e mensagens que originou-se no coração de Deus para todos os nossos corações.

Texto: Isaías 64:4 4 Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.Para algumas pessoas terem um acesso maior a simpatia de outros, tendem a demonstrar uma descomedida compaixão, ainda que teórica ao sentimento alheio em relação a várias vertentes, a mais glamurosa é a questão da espera. Frases como “O quanto é difícil esperar, creio que é uma tarefa quase impossível para alguns” é uma obra prima para ouvintes desesperados, porém desnuda de coragem teológica para enunciar uma verdade biblicamente cristalina.
Isaías escreve este trecho reconhecendo a impotência humana diante da soberania de Deus em relação a todas as coisas, principalmente em relação à área espiritual.
O esperar em Deus além de ser um imperativo que denota uma ordem de aguardar, proporciona acima de tudo um amadurecimento recompensador.
A forma que se ensina pode às vezes parecer bastante doloroso uma espera pela providencia divina em nossas vidas, “Você tem que aprender a esperar” dentre outras molda uma vertente dolorosa que nos desestimula ao invés de nos animar a esperar com gozo, satisfação de saber que mesmo em meio das situações mais adversas o Deus a quem eu sirvo é suficientemente maior a tudo, totalmente soberano, tudo está ao seu controle e nada foge disso.
Infelizmente existe um uso exorbitante de versículos isolados para exprimir, ainda que de forma errada, que o tempo de Deus não é o mesmo a que o homem anela para que suas petições e desejos sejam atendidos. Como por exemplo: 2 Pedro 3:8-9 8 Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. 9 Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. No versículo oito Pedro afirma a soberania de Deus no tempo e que o tempo de Deus difere radicalmente dos homens.
No versículo nove Pedro escreve que Deus quer que todos cheguem ao arrependimento, mas é interessante declinar-mos um pouco sobre esse versículo para considerar-mos alguns questionamentos: Qual é realmente a fonte do arrependimento? Está em Deus ou nos homens? E em relação à palavra todos, são todos os homens? Ou ainda, todos os que estão eleitos mediante os decretos eternos de Deus?
Deus nos contrista ao arrependimento (2 Co 7.9) parte Dele, arrependimento este que Ele próprio nos concede (2 Tm 2:25), então a fonte de todo o arrependimento é Deus, nos impulsionando e nos concedendo. No versículo primeiro o Autor faz uma referencia a uma primeira carta, reportando-nos a 1Pe 1.1-2, ele limita seus leitores a uma classe daqueles que obtiveram fé mediante a outorga do Espírito Santo, ou seja, que todos cheguem ao arrependimento, são todos os eleitos de Deus e não todos que querem aceitar a Deus. O próprio Cristo expressou em João 6:44 44 Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.
Se há uma promessa e esta ainda não se cumpriu, a resposta é buscar continuamente o crescimento que o Senhor quer te proporcionar.
O Salmo 4: 1-3, é uma resposta a aqueles que pensam que a porta estreita é muito penosa, Davi confiava na soberania de Deus em todas as coisas inclusive como justiça dele, Davi não recebe de Deus uma libertação do desespero, ainda que desespero indica claramente uma falta de esperança, mas um alivio na provação.
Jesus não espera por nós, mas aguarda a plenitude dos tempos em nossa vida. Ele não espera por uma decisão, por que o homem substanciado por uma natureza corrompida longe de Deus, nunca decidirá por Deus, por isso Deus nos impulsiona a ouvir a palavra e é gerada fé e arrependimento através do Espírito Santo. Deus nunca espera por nós, nós é que aguardamos o tempo de Deus em nossas vidas para o recebermos como Senhor e Salvador de nossas vidas.
Infelizmente hoje há muitos falsos mestres ensinando inverdades tais como: “Jesus espera por você”, “Ele espera por sua decisão, Ele espera ouvir sua voz”. Se Deus depender de suas criaturas para que seu plano se concretize então Deus não é soberano, e a criatura é auto-suficiente para por sua própria decisão barrar os planos do Senhor. Eu não creio numa criatura auto-suficiente, mas acredito num Deus soberano que nos deu responsabilidades dentro do seu maravilhoso e perfeito plano. Somo seres inteligentes, portanto temos participação, mas sem esquecer que não existe nada externo a Deus que mude os seus planos eternos.
James de Melo
Pastor Presidente
Igreja Batista Reformada – Pregando Princípios

Como devemos louvar à luz da reforma?
As pessoas sensíveis amam uma boa música. Isto é um fato inquestionável. Até Lutero expressou isto (e há muito tempo): “A música é filha do céu e o homem que verdadeiramente a ama não pode ter se não bons sentimentos. Eu não tenho consideração alguma por um povo que não saiba cantar. Aqueles que ficam insensíveis à música são corações secos, que só posso comparar com pedaços de rocha ou madeira.” Ela marca gerações, está presente em todos os segmentos da sociedade e principalmente tem espaço garantido nas igrejas. E há igrejas famosas pelos seus louvores.... Contudo, crentes reformados sabem que a música faz parte de uma verdadeira adoração, por isso deve ter um tratamento especial. Vejamos os porquês.
Todas as palavras para designar “louvor”, em hebreu ou grego, refletem uma de duas idéias. O conceito de louvor mais comumente encontrado hoje deriva da palavra proskuneo. Pros significa “para com” e “kuneo” quer dizer “beijar”. De acordo com o dicionário BAGD, essa palavra designa “o costume de alguém se prostrar perante outra pessoa e beijar seus pés, a bainha de sua capa, o solo, etc. Os persas faziam isso na presença de seu rei endeusado e os gregos ante uma divindade”. Desse modo, a palavra significa “(prostrar-se e) louvar, prestar obediência a outrem, prostrar-se frente a alguém, reverenciar, acolher respeitosamente”. Como se pode ver, proskuneo é uma atitude de humildade, reverência, apreciação, temor, adoração e maravilha. A ênfase é para o amor e a devoção. O segundo conceito de “louvor” é representado pela palavra latreia, a qual essencialmente significa “serviço” ou “trabalho”. Essa palavra originalmente se referia ao trabalho dos escravos ou servos contratados. Em contraste com proskuneo, latreia é uma palavra de ação.
Assim, biblicamente, adorar a Deus é “trabalhar” para Ele em atitude de “adoração reverente”. Além disso, Jesus disse à mulher samaritana “crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. ... os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (João 4:21-24). Louvor nada tem a ver com localização geográfica ou tempo – é para ser feito em qualquer lugar onde os crentes se encontrem e em todos os tempos. Desta forma, não se deve restringi-lo aos cultos de domingo porque surpreendentemente, o Novo Testamento jamais se refere às reuniões da igreja como “cultos de louvor”. Romanos 12:1 menciona um “culto racional”, mas se refere a oferecer nossos corpos a Deus como um sacrifício vivo - nada tem a ver com culto de igreja! Certamente nada há de errado com louvar o Senhor durante as reuniões da igreja (1 Coríntios 14:22-25, Efésios 5:19, Colossenses 3:16). Porém, esse deve ser o principal objetivo do culto?
As reuniões da igreja (ou cultos), reveladas no Novo Testamento são interativas, informais e pequenas. Simplicidade era a regra das reuniões das igrejas domiciliares. Em algum lugar do percurso (cerca da época do Édito de Milão, do Imperador Constantino) saímos dos lares e nos mudamos para os vetustos e majestosos “santuários” (os quais formalmente pertenciam às religiões pagãs). Nós trocamos interação e incentivo mútuo por monólogo. A intimidade foi perdida quando as massas passaram a se encontrar nos enormes salões de conferência chamadas catedrais. A informalidade deu lugar à liturgia, pompa e cerimônia. Os cultos se transformaram em espetáculos, com a congregação assistindo às performances da elite espiritual. Nessa atmosfera, atender a 1 Coríntios 14:26 se tornou cada vez mais difícil. Dentre o que ainda podia ser atendido, estava Efésios 5:19 e Colossenses 3:16, de modo que o “louvor” tornou-se o foco principal desses espetáculos de performance. Com um agravante: são louvores heréticos, alguns totalmente destoantes da Palavra de Deus, com letras muito distantes de “uma atitude de humildade ou reverência...”.
Calvino deixou clara sua posição sobre isto quando afirmou que há poder na música para incitar os ânimos ao verdadeiro zelo e ardor de orar, e demonstrou a sua preocupação para que a melodia não seja mais enfatizada do que a letra (CALVINO, 1989). E é na letra que encontramos afrontas terríveis à Soberania de Deus. Basta analisar algumas canções como “Restitui”/ “Toque no Altar” (Ministério Apascentar de Nova Iguaçu), “Os sonhos de Deus” (Ludmila Ferber) ou “Milagres” (André Valadão) entre tantos outros... Parece que a criatura troca de lugar com o Criador exigindo, esperando, querendo.... Contudo, os crentes cantam sem constrangimentos, sem refletirem sobre o conteúdo destes louvores. Nestes e em vários outros louvores cantados nas igrejas, não há centralidade em Cristo, traço característico da Igreja Cristã ao longo dos séculos, em especial da Igreja Reformada, como também estão vazios de fundamentação bíblica, conseqüência do abandono do princípio Sola Scriptura. Que Deus nos dê entendimento e inteligência para não cairmos neste engano de abandonar a centralidade de Cristo e substituirmos pelo homem, nos distanciando do que é mais importante para um louvor puro, sincero e agradável a Deus que é: estar em plena concordância com a Bíblia.... para que Deus Seja (de fato) Louvado....
Josenilde Lima Cazimiro (Josy)