
“ Por esta razão, também nós, desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecidos como todo o poder, segundo a força da sua glória, tem toda a perseverança e longanimidade; com alegria, dando graças ao Pai, que voz fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz.” Cl 1.9-12
Oração, segundo Charles Hodge em seu livro “Teologia Sistemática” é a conversa da alma com Deus, é um diálogo com Deus, são projeções da alma rumo a Deus em pensamento e sentimento, e tem vários objetivos:
a) Para amá-lo e reverenciá-lo;
b) Gratidão;
c) Penitência por nossos pecados;
d) Esperança em seu amor perdoador;
e) Submissão a sua autoridade;
f) Confiança em seu cuidado; e
g) Anelos por favores e bênçãos, para nós e para os outros.
Pressupõe personalidade de Deus, além dele mesmo que está perto de nós e disposto/capaz de manter relação conosco.
Questionamentos:
1) Mas como Deus conhece e rege todas as coisas, por que devemos orar? É racional orarmos porque Deus se estende sobre a mente dos homens, por isso temos que pedir para que INFLUENCIE nossos corações e os demais para o bem.
Deus se estende sobre a mente do homem, sobre seus pensamentos, sentimentos e volições, suas vontades.
Se Deus preordenou abençoar-nos, ele preordenou que busquemos sua benção. A oração tem a mesma relação causal com o bem concedido que quaisquer outros meios têm como fim ao qual se conecta.
2) Qual deve ser o objeto da nossa oração? Um carro? Saúde? Emprego? Dons espirituais? Não! O objeto da nossa oração é Cristo..... Cristo que é Deus manifestado na carne, que todo poder do céu e na terra foi confiado a suas mãos, ele é nosso advogado o único intercessor de nossas almas..... Apenas Cristo está qualificado a conceder arrependimento e a remissão dos pecados; por meio do Espírito Santo, pois está escrito que ele habita entre nós e é a nosso vida! Ele é quem nos consolará.....
I Tm 1: 5-6 “ e da parte de Jesus Cristo, o Fiel testemunho, o .... nos libertou de nossos pecados.
Ap. 5. 13 “ Então, ouvi que toda criatura que há no céu e na Terra ..... aquele que está sentado.... seja o louvor, e a honra, e a glória, e o domínio pelos séculos dos séculos.
3) Quais os requisitos para uma oração aceitável?
a) Sinceridade
b) Reverência
c) Humildade: oposto de autojustificação, autocomplacência e a da autoconfiança. Jó: “Abomino-me e arrependo-me em pó e cinza.
Isaías: “Ai de mim! Porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuro lábios. Não há linguagem, que possa expressar adequadamente esse senso racional do pecado que o povo de Deus amiúde experimenta.
d) Importunação:
Mt 15.22 “Tem misericórdia de mim, ó Senhor, Filho de Davi”
Lc 18.5-8 “Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite....”
e) Submissão:
“Senhor, seja feito o que tu queres, e não o que quero.”
f) Fé: Devemos crer que Deus existe, é capaz, se dispõe a responder, responderá se assim os pedidos forem consistentes com os sábios propósitos de Deus e com nosso melhor bem.
I Jo 5.14 “Esta é a confiança que temos para com ele: que se perdemos alguma coisa segundo sua vontade, ele nos ouve.”
g) Devem ser feitas em nome de Cristo: devemos apelar para os méritos e a dignidade de Cristo.
4) Quais os tipos de orações?
a) Reverência
b) Gratidão
c) Tristeza pelo pecado
d) Senso de dependência e obrigação
e) Secreta
f) Social (domiciliar ou culto)
5) Quais as características de uma boa oração em público?
a) Espírito devoto
b) Mente e memória na palavra
c) Bem ordenada
d) Adaptada à ocasião
e) Linguagem solene, simples e objetiva
f) Breves
Enfim, como e por que devemos orar? Devemos orar porque assim nos ensina as escrituras “Orai sem cessar” I Ts 5.17 , e devemos orar para manter uma relação íntima com Deus se utilizando principalmente de humildade, reverência e submissão a Deus. A oração pode ser secreta ou em público, pode ser por reverência ou gratidão, ou por reconhecimento de nossa pequenez e pecados....
Concluindo, com um trecho de “As Institutas” de Calvino (para variar...):
A oração não é feita para nos exaltarmos diante de Deus, nem para que seja apreciado o que há em nós, mas para confessarmos a nossa miséria e para fazermos sentida lamentação de tudo o que pesa sobre nós, como uma criança faz a seu pai. Ao contrário, pois, de causar temor, o sendo de miséria pessoal deve antes ser como uma espora ou um aguilhão que nos incite a oração.
Como somos advertidos pelo exemplo do profeta, que orou a Deus pedindo-lhe:
“Compadece-te de mim, sara a minha alma, porque pequei contra ti” Sl 41.4
Irmãos, e que cravemos esta verdade em nossos corações: É a fé que obtém para nós tudo o que é concedido às nossas orações.
Josy Lima

