26 de outubro de 2007

O trabalho divino em suas criaturas

Texto: Isaías 64:4 4 Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.

Para algumas pessoas terem um acesso maior a simpatia de outros, tendem a demonstrar uma descomedida compaixão, ainda que teórica ao sentimento alheio em relação a várias vertentes, a mais glamurosa é a questão da espera. Frases como “O quanto é difícil esperar, creio que é uma tarefa quase impossível para alguns” é uma obra prima para ouvintes desesperados, porém desnuda de coragem teológica para enunciar uma verdade biblicamente cristalina.

Isaías escreve este trecho reconhecendo a impotência humana diante da soberania de Deus em relação a todas as coisas, principalmente em relação à área espiritual.

O esperar em Deus além de ser um imperativo que denota uma ordem de aguardar, proporciona acima de tudo um amadurecimento recompensador.

A forma que se ensina pode às vezes parecer bastante doloroso uma espera pela providencia divina em nossas vidas, “Você tem que aprender a esperar” dentre outras molda uma vertente dolorosa que nos desestimula ao invés de nos animar a esperar com gozo, satisfação de saber que mesmo em meio das situações mais adversas o Deus a quem eu sirvo é suficientemente maior a tudo, totalmente soberano, tudo está ao seu controle e nada foge disso.

Infelizmente existe um uso exorbitante de versículos isolados para exprimir, ainda que de forma errada, que o tempo de Deus não é o mesmo a que o homem anela para que suas petições e desejos sejam atendidos. Como por exemplo: 2 Pedro 3:8-9 8 Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. 9 Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento. No versículo oito Pedro afirma a soberania de Deus no tempo e que o tempo de Deus difere radicalmente dos homens.

No versículo nove Pedro escreve que Deus quer que todos cheguem ao arrependimento, mas é interessante declinar-mos um pouco sobre esse versículo para considerar-mos alguns questionamentos: Qual é realmente a fonte do arrependimento? Está em Deus ou nos homens? E em relação à palavra todos, são todos os homens? Ou ainda, todos os que estão eleitos mediante os decretos eternos de Deus?

Deus nos contrista ao arrependimento (2 Co 7.9) parte Dele, arrependimento este que Ele próprio nos concede (2 Tm 2:25), então a fonte de todo o arrependimento é Deus, nos impulsionando e nos concedendo. No versículo primeiro o Autor faz uma referencia a uma primeira carta, reportando-nos a 1Pe 1.1-2, ele limita seus leitores a uma classe daqueles que obtiveram fé mediante a outorga do Espírito Santo, ou seja, que todos cheguem ao arrependimento, são todos os eleitos de Deus e não todos que querem aceitar a Deus. O próprio Cristo expressou em João 6:44 44 Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

Se há uma promessa e esta ainda não se cumpriu, a resposta é buscar continuamente o crescimento que o Senhor quer te proporcionar.

O Salmo 4: 1-3, é uma resposta a aqueles que pensam que a porta estreita é muito penosa, Davi confiava na soberania de Deus em todas as coisas inclusive como justiça dele, Davi não recebe de Deus uma libertação do desespero, ainda que desespero indica claramente uma falta de esperança, mas um alivio na provação.

Jesus não espera por nós, mas aguarda a plenitude dos tempos em nossa vida. Ele não espera por uma decisão, por que o homem substanciado por uma natureza corrompida longe de Deus, nunca decidirá por Deus, por isso Deus nos impulsiona a ouvir a palavra e é gerada fé e arrependimento através do Espírito Santo. Deus nunca espera por nós, nós é que aguardamos o tempo de Deus em nossas vidas para o recebermos como Senhor e Salvador de nossas vidas.

Infelizmente hoje há muitos falsos mestres ensinando inverdades tais como: “Jesus espera por você”, “Ele espera por sua decisão, Ele espera ouvir sua voz”. Se Deus depender de suas criaturas para que seu plano se concretize então Deus não é soberano, e a criatura é auto-suficiente para por sua própria decisão barrar os planos do Senhor. Eu não creio numa criatura auto-suficiente, mas acredito num Deus soberano que nos deu responsabilidades dentro do seu maravilhoso e perfeito plano. Somo seres inteligentes, portanto temos participação, mas sem esquecer que não existe nada externo a Deus que mude os seus planos eternos.

James de Melo
Pastor Presidente
Igreja Batista Reformada – Pregando Princípios

2 comentários:

Unknown disse...

Olá amado, gostei muito das verdades que foram postadas neste singelo texto,sim! singelo, não em simplicidade, mais em pureza e transparência quanto as verdades do evangelho de cristo.No entanto, é sabido que o reconhecer a soberania de Deus, não é para qualquer um, mais sim para aqueles que foram verdadeiramente comprados pelo sangue do cordeiro,aqueles que foram escolhidos por Deus antes mesmo da formação desse mundo hipócrita, onde meras criaturas caiadas se acham auto-suficientes até mesmo para se salvarem, roubando dessa forma a glória do eterno Deus.
Soli Deo glória!!

Unknown disse...

Olá Pedra viva do Senhor, amado eu creio que Rm 14:11 será uma realidade tal como vivemos hoje. Onde diz que toda criatura dobrará seus joelhos e confessará com sua língua, acontecerá não por usurpação e sim por reconhecimento da grandiosidade do poder de Deus que se revelará no dia do Juízo. Hoje é ao mesmo tempo cômico e entristecedor, pessoas estarem achando que por estarem ocupando posições de líderes espirituais, se acharem poderosos para salvarem ou tirar a salvação com palavras deturpadas. A Deus toda a glória, louvor e ações de Graça. Muito obrigado pela sua participação.
Deus te abençoe grandemente.