3 de dezembro de 2009

A igreja se mede por “cabeça”?


O que acontece quando se abraça a multidão em detrimento da qualidade.

Quem não já perguntou, ou quem não ouviu esta maliciosa pergunta: “Quantos membros têm na sua igreja?” Frequentemente, sou abordado por inúmeras pessoas que me conhecem ou não, e me questionam sobre a quantidade de pessoas que freqüentam os cultos, por isso, confesso, provocou-me uma profunda inquietação.

Por estes dias eu estava numa reunião dominical na Igreja e durante a ministração eu estava falando sobre ditos “pastores”, pessoas que sufocam a verdade em corroboração do espírito competitivo por “cabeças” de membros.

E a visão que tenho a partir de observação e da experimentação (porque pela vontade soberana de Deus eu frequentei um lugar pentecostal) é que a Igreja tem a sua importância, o seu valor e a sua medida ligada diretamente a quantidade de pessoas que lá se encontram.

Fico até com um certo cansaço ao debater repetidamente : sobre a época de Cristo e hoje, suas similaridades em relação a igreja pentecostal e o farisaísmo; sobre a igreja pentecostal e neopentecostal e o catolicismo de Constantino no Séc. XVI. Todavia, poderíamos deduzir algumas coincidências? Ou quantas providencias de Deus para não nos deixar completamente enganados?

O movimento evangelístico do evangelicalismo moderno tende a andar na contramão do evangelho verdadeiro. Explico: Nos tempos de Cristo, as multidões que acompanhavam Jesus eram de incontáveis pessoas, nos parâmetros atuais, seria uma Igreja de sucesso com muitos membros, muito irônico. Mas, a Bíblia é muito clara em especificar quem era os que seguiam a Jesus. Curiosos, doentes atrás de curas, pessoas que queriam testá-lo, fariseus, saduceus, e todo tipo de pessoa que diferencia daqueles pouquíssimos que entram na qualidade de discípulo. Discípulo mesmo, no nosso entender, eram doze, mas um traiu e se mostrou um seguidor, com a sua morte, fugiram todos os homens ficando para uma mulher a missão de entregar uma mensagem para que os onze se reagrupassem de novo.

Veja que Jesus não correu atrás dos milhares que o seguiam e sim se preocupou com a qualidade. A igreja moderna se preocupa com a quantidade. Pseudos “pastores” que se preocupam em vender livros e mais livros e Bíblias sendo que o importante não é o texto sacro e sim suas observações editadas nelas. Estes se preocupam com a vendagem de seus produtos e não com a absorção do conteúdo dos mesmos. Estes estelionatários da fé alheia que provocam muitos que estão honestamente enganados, somatizam uma fórmula de empreendedorismo com evangelho para gerar muitos dividendos por meio da ignorância de alguns ou muitos. A igreja de hoje, na verdade, está abraçando uma multidão de seguidores em detrimento de uma minoria de discípulos. Produz uma massa sufocante, parte para uma competitividade cabeça a cabeça, sendo que os princípios da pregação do evangelho e todas as doutrinas, puras e santas, ensinadas por Paulo são deixadas de lado. E assim, como peixes em um aquário sem oxigênio, os verdadeiros discípulos vão pouco a pouco morrendo à míngua, sem forças ao menos para tomar uma decisão por sair de onde estão por vários motivos, sendo o principal, a meu ver, o comodismo intelectual tão típico de nossa cultura.

O que fazer então? Deve ser o que está passando por sua cabeça agora. Será que uma nova reforma basta? Será que só orar basta? Será que gastar todo o nosso vocabulário basta?

O que eu sei é que de onde eu vim, medos são colocados, as almas vitimadas ao ponto de achar que é uma maldição pensar que esses adúlteros e anticristãos que se denominam “pastores” estão nos guiando por caminhos tortuosos.

O que nos resta é falar a verdade. Concordo com a posição de uns pouquíssimos pastores que defendem ser necessária uma regeneração, uma verdadeira conversão nos dias atuais.

A reforma protestante do séc. XVI já desempenhou o seu papel e agora a conduta é outra, precisamos tirar essa máscara demoníaca que se colocou em nome de um Jesus que não é o da Bíblia com a mensagem do verdadeiro, por que só conhecendo a verdadeira verdade, somente ela nos libertará da falsa liberdade proposta que não é vivida pelos cristãos modernos.

Pr. James de Melo

Um comentário:

alma de poeta disse...

Isso que foi dito sobre a relação entre quantidade e qualidade é revelador, pois infelizmente muitos chamam o nome do SENHOR, porém poucos vivem o cristianismo plenamente no seu modo de vid. Fico incomodada com igrejas que divulgam mais as fotos dos pastores que as mensagens de DEUS.